quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Livre mente

Quis ser poeta livre
Não soube conter
A torrente de poesia

Tornou-se escravo
Dos próprios versos
Em sua vida-fantasia

(Isabela Xavier) 

The old man and the sea. by jaci XIII
a photo by jaci XIII on Flickr.

Solitário desab(af)o

Gang Aft Agley (3) by Liam Levitz
a photo by Liam Levitz on Flickr.

Hoje desisto de mim
E deixo meu barco afundar
Em um copo de vodca
Ou na almofada do sofá

Jogo na mesa os livros e os compromissos
Hoje eu escolho o que ficará
Escancaro a janela do apartamento
Convidando a tempestade,
Deixo a chuva molhar

Hoje, só hoje
É o dia de me largar
À própria sorte
E de me jogar
Na pausa que a vida dá

Hoje estou feliz assim,
Solitário
Fechado em pensamentos delirantes
Sou sofredor voluntário
Escravo de uma mente errante

Lembre-se de me esquecer
Finja que nunca existi
Ignore a importância que me dá
Sou eu, e só eu,
O único que cabe aqui

Não me toque a campainha
Esqueça o telefone, nem me ligue
Hoje aprecio meus demônios
E degusto o que a vida me proíbe

(Isabela Xavier)

Ficção

Untitled by Valerio Photography/Alessa
a photo by Valerio Photography/Alessa on Flickr.


Personagem te faço
Criei uma ilusão
E assino embaixo

Na minha história de amor
Abro teu coração
Sou teu herói e sou autor

As fantasias que criei
Todas sobreviverão
À realidade que recusei

Leio e releio nosso romance
Única concretização
Ao meu curto alcance

(Isabela Xavier)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sempre passa

Disappear by tothzoli001
a photo by tothzoli001 on Flickr

 
Tudo isso vai passar
As lágrimas 
Vão secar
Os passos que ainda
Ouço pela casa
Vão cessar
Essa dor
A aflição
Esse vazio
Da solidão
Tudo isso passará

A curtas passadas,
Mas irá
Eu sei

Mas também sei 
Que sou fraco
E dou 
Mais um passo
Em direção 
Ao passado
Mesmo sabendo que
Caço a frustração
Voluntária ilusão
Com que decido
Me presentear

Mas isso tudo
Ah, esse tropeço no escuro,
Isso também passará

(Isabela Xavier)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Complexo - PHpoemaday

Odeia essa cara 
Sempre fechada
Não gosta do feitio 
Dessas cores, odores
Desses traços vazios

Odeia esse olhar
Frio, dissimulado
Esses atos sem nexo
Quebra-se em cacos
Odeia o próprio reflexo

(Isabela Xavier)

Tema do dia 3: espelho.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

O céu de hoje - PHpoemaday‬

Teus olhos
Tempestuosos
Eram nuvens
Descarregando
Em lágrimas
O peso dos
Dias cinzentos
Sobre mim

Lançando raios
Furiosos
Em olhares
Últimos
Teus olhos
Sempre cinza
Trovejaram-me
O fim

(Isabela Xavier)

Tema do dia 2: o céu de hoje.

domingo, 1 de junho de 2014

Retrato - ‎PHpoemaday‬*

Pintei um retrato 
Era nada novo
Meio torto,
Meio desbotado

Pendurei o retrato
Moldura escura
Em meio à brancura
Da parede do quarto

Pintei-me
Em único ato
Pendurei-me
Um autorretrato

(Isabela Xavier)

*Todo texto publicado no blog que incluir
PHpoemaday ao lado do título faz parte do desafio de escrita Poem a Day, que vocês podem conhecer aqui.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Segunda resenha!

Hey, pessoal, saiu uma nova resenha do Livre Mente!
Foi feita pela blogueira Adriana Holanda Tavares, do blog Volto Pra Curtir.

"Sim, é lírica e melódica a forma que a Isabela nos toca com cada pequeno 'desabafo' emocional.
Em alguns momentos percebi que ela se utiliza de muitas antíteses e dicotomias em seus poemas, coisas que se chocam o tempo todo, fazendo com que nos tomemos de uma confusão de sentidos deliciosa.
(...) A capa é linda demais, a diagramação também e diga-se de passagem que uma edição independente muito melhor que algumas de editoras com anos de mercado!!!"
Resenha completa: http://voltopracurtir.blogspot.com.br/2014/05/resenha-livre-mente-isabela-xavier.html


Onde ler as primeiras páginas do livro: http://issuu.com/isabelaxavier/docs/livre_mente_-_primeiras_p__ginas

Como adquirir o Livre Mente: http://isabelaxavier.blogspot.com.br/p/blog-page_27.html

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cínico

06/08.a little bit. by lila-is-a-bird
a photo by lila-is-a-bird on Flickr.


Apenas posso supor
Que irás sobrepor
Uma desatenção
À derradeira interpretação
Quando esta não for
Conveniente e condizente
Com o que queres 
Que digam meus versos

Meu poema que
Não suspira, doce
como desejas
Em teu ouvido
Mas grita, mudo
E afinado
Que tu já sabes
Que me leu errado

(Isabela Xavier)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Into pieces

photo byNick Fletcher

Metade da alma em cacos
A outra parte em pedaços
De amor
Emaranhados feito retalhos
Que alguém descosturou

Sou fio solto de mim
Enrolado 
Ao que restou
Da dor
(Isabela Xavier)

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